A Loucura Quem Fala

Com efeito, a História das Ideias é uma espiral retrorreferente que não se enquadra jamais na linearidade do intangível tempo das ampulhetas. Tempos felizes e infelizes, nos quadros das idas e vindas elucubrações, de fato, vão embora para depois sempre voltarem. Desafortunadamente, alguns elementos dessa seara, quando dão meia-volta de mala e cuia na mão, estreitam espetacularmente a distância entre História do Saber e História da Imbecilidade.

Para desgosto dos que vos falam, parece ser esse o caso de nosso novíssimo milênio. De “mãe” e “pai” a “parent 1” e “parent 2”, e do racionalismo cartesiano à agonia da inteligência, hoje é novamente “A Loucura Quem Fala”, mesmo cinco séculos passados do célebre percurso de Erasmo da Inglaterra à Itália, quando construiu e dedicou seu Incomiun Moriae ao grande Thomas More.

Não seria afinal, e novamente, a mesma Loucura que “Perpetua a Espécie Humana” a única apta a aceitar qualquer proibição de “manifestação filosófica”, como verbaliza o perolar PL122?

E quem mais que a Loucura, “Mãe das Artes”, amigos, senão a mesma Loucura hoje a censurar tudo o que a consciência intelectual (ou melhor, bestial) politicamente corretíssima não mais suporta ouvir nem dizer? Quem além da Loucura faria assim tão miscíveis óleo e água?

E nos digam quem, prezados, senão a Loucura, “Verdadeira Sabedoria”, poderia apartar-se de sua própria natureza sapiente e, assim, parecer tão mais sábia e correta quanto mais se afasta da coragem intelectual e das verdades conceptuais?

Ainda, caros, que bicho além da Loucura, engendro sarcasticamente feito “deusa entre as deusas” por Erasmo, poderia impor como justa uma condição humana que aproxima o homem da burrice (afastando-o de sua natureza), mais e mais a cada dia? O quê senão a Loucura poderia decidir “politicamente correto” um estado de espírito eminentemente proscritor do próprio raciocínio, censor do mesmo núcleo que distingue o próprio “animal político” das demais e predadas bestas? Como senão mediante a Loucura se poderia tolher a diferença específica natural da própria polis em relação aos agrupamentos de asnos e demais ruminantes?

Quinhentos anos depois, é fora de dúvidas que o condenador “Elogio” de Erasmo perfeitamente serviria de panfleto de ataque contra a Loucura de nosso milênio. Assim, iremos empreender crítica de mesmo molde e postura, nada obstante reconheçamos sejam ipso verbis “politicamente incorretas” quaisquer sortes sediciosas contra a verdadeira ditadura cognitiva-comunicativa (“politicamente correta”) em que vivemos.

É como, também críticos desta Loucura instaurada, provaremos sua desumanidade e injustiça, versão globalizada do velho chicote na mente do já tão desgastado gênero humano, ora também privado de seu próprio pensamento, de sua própria palavra e, enfim, de sua mesma essência.

Obs.: recomendamos, para os interessados, a leitura do artigo “A Ditadura do Politicamente Correto”, cujo link encontra-se na aba superior direita.

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