Os Dreads, a PM e a Nostalgia de Outras Encarnações

Temos acompanhado alguns eventos curiosos na dita Gloriosa. O derradeiro, puramente trágico – para não denominarmos jocoso -, diz respeito aos reflexos de um ideal libertário promovido pelos grupos de esquerda contra o regime autoritário empreendido pela PM, que para eles, como no fatalismo de Édipo, está nos moldes da ditadura militar.

Nesse sentido, tive a tétrica oportunidade de ver algumas manifestações plangentes de colegas alunos dessa Faculdade que, antes considerada celeiro de grandes intelectuais, mostra-se hoje celeiro de outras figuras, mais caricaturescas.

Nos egroups de algumas salas foi suscitado debate acerca do exercício policial no território considerado “Livre”, frise-se, do campus da cidade universitária. Sustentando que a PM faz parte de uma “política filo-fascista de Geraldo Alckmin”, nas palavras de Walter Maierovitch, os alunos contrários à atuação da PM na USP inundaram minha caixa de emails.

Ainda, ao avistar os corredores da São Francisco tomados por indivíduos que me lembram as imagens de 1968, com suas latas de cerveja na mão, seus belos dreads e gritando imperativos do gênero: “fora PM da sociedade”, no dia da Assembléia no Salão Nobre, sorri malignamente. O que se vê é uma espécie de subsunção do movimento contra a ditadura das décadas de 70 e 80, na realidade atual; afinal, quem tem coragem de criticar o movimento pró-democrático?

Mais uma vez a esquerda joga com armas indecentes.

Dentre os argumentos mais defendidos, na crítica contra a PM, está a ineficácia dessa instituição, além do fato de parte considerável dos alunos se mostrar favorável à liberação da maconha. Embasando seus discursos inflamados, nossos “companheiros” chegam a afirmar que o trabalho da PM é completamente inútil, alegando, para tanto, que a presença de policiais não inibe a prática criminosa.

Muito bem. Considerando que a presença da PM não tolhe a prática delituosa, além de sua atividade de força, para a manutenção do Direito, ser exercida mediante instrumentos autoritários; e tendo em vista que, ao invés de se preocupar com os traficantes, os policiais se limitam à repressão aos usuários, podemos concluir, como nossos colegas canhotos, que a existência da PM constitui somente puro dano ao Erário e, por isso, deve ser extinta.

Sabe-se, contudo, que o mundo dos Ursinhos Carinhosos só existe na memória daqueles espectadores do SBT dos anos 90. Se é fato que a eficiência da PM é baixa e que há casos de inabilidade em suas atividades, claro que sim. Mas propor sua extinção é absurdo. Além disso, englobar todos os integrantes da Corporação como sujeitos desumanos, truculentos, é um argumento no mínimo inepto, como normalmente são todos os argumentos da esquerda.

O que o bom-senso nos punge, ao contrário da semi-acefalia supracitada, é um possível questionamento sobre a atual atividade da PM, repensando seus escopos e meios necessários para alcançá-los. A proposta lançada por relevante número de alunos, além de ser ridícula e ásnica, beira a imbecilidade e torna evidente a falta de conhecimento da história do País. Tratar um levante de uma minoria badernista, no caso desses alunos escondidos atrás de suas fumaças inebriantes, como um movimento em prol da democracia, à matriz da consciência dos revolucionários anti-ditadura, é blasfêmia, é pecado, é apelar ao trancendental.

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