Contradições rumo à Concórdia: Rodas e os Paladinos dão as Mãos



Ontem (22/11/11), o Ilmo. Sr. Dr. Jorge Luiz Souto Maior (sim, sempre ele, o “Robbin Hood” franciscano dos mega-fones e dos tiros pela culatra), em coro com membros do SINTUSP, bem como com outros juristas-antilegalistas, encabeçou renovada e brilhante manifestação em “Aula Pública” na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da Universalidade de São Paulo, contra a Polícia Militar.

Reconhecemos que é já ocioso e gasto dizer que a conversinha em meio à “aula” (sim, foi essa a absurda nomenclatura utilizada para caracterizar o evento) foi a mesma de sempre: os mesmos tipos, regurgitando seu mesmíssimo e sumulado glossário, de novo a fim de ventilar o reliqueiro discurso, sempre embebido de toda a vacuidade e inflamação que o peculiarizam há mais de um bicentênio.

De fato, só o que faltou foi o tema de “A Praça é Nossa” ao fundo da “manifestação”. Manifestação esta, aliás, muito mais cômica que o próprio programa humorístico, aquele mesmo, o “da mesma praça, do mesmo banco, das mesmas flores e mesmo jardim”. A “aula”, mais um “ato” (como nossos gritalhões adoram dizer) veio a corroborar a declaração recente do Governador do Estado, Geraldo Alckmin: os alunos da USP precisam, sim, de uma aula; aula essa – dessa vez aula de verdade – de democracia.

Novamente (com o perdão da dupla redundância), novidade alguma até aí. Ocorre que em meio a tanta estafa e mesmice, uma grande surpresa (talvez grata surpresa) nos levou a tecer as presentes linhas. Enfim, novidade: encontramos, entre os birrentos de parte a parte, uma fagulha de amizade, um quê de anuência.

Explicamo-nos.

Com efeito, estes que vos escrevem notaram este fato curiosíssimo na grande mídia: encontramos, em dois veículos de grande porte, uma centelha de concórdia lógica entre legalistas e canabistas/grevistas/sindicalistas/esquerdistas/petistas, fato por si só digno de algum destaque.

Sim. mesmo estes, talvez sem querer, entre um tropicão e outro, deram o braço a torcer (ou melhor, acabaram torcendo o próprio braço).

A despeito das dadas iterações revoltosas contra a Polícia Militar, “reacionária e defensora de interesses de classe“; nada obstante, também, o “genocídio (!) praticado, pela PM, contra a população negra”; apesar do “desemprego, da terceirização e da discriminação” como causas verdadeiras da violência, causas estas injustamente negligenciadas pela Reitoria da USP – cujo papel seria, segundo os “companheiros”, o de resolver os problemas do Mundo (como pretendem eles próprios), e não aqueles propriamente atinentes à Universidade, cuja gestão (essa sim) cabe ao Reitor; mesmo com a dirigência da USP a tratar “de modo demasiadamente pragmático” a questão da segurança no câmpus – afinal, pois, a Reitoria deveria agir o menos eficientemente e o mais divagadamente possível no caso da segurança no Câmpus; e, pasme, mesmo em que pese a manutenção sistemática e opressora do “filtro classista do vestibular” e da “ausência do Povo (…) na Universidade”

Enfim, amigos, apesar de tudo isso, há algo em que nossos honrados militantes e “sindicalistas profissionais” (já teria essa profissão carteira assinada?) concordam com o demoníaco “sistema”, simbolizado pelo “non grato” REItor; e é tal coadunação, deveras inesperada, apesar de simples e decisiva,  que ora vos provaremos.

A paz entre as partes, enfim em edênica harmonia, merece aplausos. É tão verdadeira e salutar que merece que deixemos, em sua homenagen, que seus próprios atores a verbalizem. Seguem, ad hoc, trechos extraídos de discursos dos próprios Heróis e Vilões (v. enquetes: https://statoferino.wordpress.com/2011/11/22/quem-foi-o-grande-vilao-do-ano-3/) de nossa vergonhosa Odisséia:

1.Verbis, Grandino Rodas,em entrevista ao Estadão:

“A Constituição concede à PM o poder de polícia em todo o território nacional. Para que a PM perca seu direito de operar na USP, é necessário mudança constitucional. A USP faz parte do território brasileiro e tudo que for ilícito no País também o será aqui.”

Estadão: A USP pode fazer plebiscito sobre a PM no Câmpus?

“Não me parece apropriado a USP fazer plebiscito com referência a norma constitucional.”

Curto e incisivo. Realmente a USP, territorialmente, é parte do Estado, e portanto sujeita a seu poder de polícia; quanto à absurda proposta de plebiscito, ventilada pelos insurgentes “acima da lei”, a resposta do Reitor é igualmente evidente e certeira. A isso, pois, e para grande satisfação de Grandino Rodas, responde aquele que tentou (e não conseguiu) combater Rodas nessa desigual disputatio.

2. Verbis, Ilmo. Sr. Jorge Luiz Souto Maior, em publicação recente na Folha de São Paulo:

“Todos concordam que, no Estado de Direito, ninguém está acima da lei. Com base nessa premissa, não é possível conceber-se espaços isentos do controle de legalidade estatal.” [http://educarparaomundo.wordpress.com/2011/11/11/a-policia-militar-na-usp-artigo-de-paulo-arantes-marcus-orione-e-jorge-luiz-souto-maior/]

Sim, a paz foi estabelecida; a isonomia, o respeito à lei e a opinião  majoritária, enfim, triunfam na consciência de ambas as partes! Satisfatório desfecho, não fosse ele simples quimera, mero fruto da contraditoriedade dos sindicalófilos em meio a seus estapafúrdios argumentos. Enfim, é evidente que a aliança trata-se de mais uma piada de mau-gosto da parte desses que vos escrevem; piada que (sabe-se lá o porquê), aliás, nos remete àquelas do Deputado João Plenário, corruptíssimo (também ele “profissional”) parlamentar da “Praça”.

Sabe-se que em uma aula (uma verdadeira aula), é comum que o mestre formule a conclusiva pergunta a seus alunos: “Alguma dúvida?”  Muito bem, respondamos: quanto ao dito por ambas as partes sobre a lei, a despeito do caráter apenas jocoso da concordância entre elas, esperamos que não. “Dúvida alguma, professor.” Creiamos que não tenha sido atingida tal fundura nesse poço de desinteligência. Ao menos não a ponto de 2 + 2 somarem 5, muito embora nesses tempos de “opressão e
genocídio” do bom-senso – definido por Descartes como a capacidade de “distinguir o verdadeiro do falso” – talvez até a aritmética não esteja tão a salvo.

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Comments
One Response to “Contradições rumo à Concórdia: Rodas e os Paladinos dão as Mãos”
  1. Yan disse:

    A polícia é odiada pela esquerda no país por causa do regime militar. O problema por trás desse ódio é que aquela militância – que hoje, envelhecida, ocupa o poder – estacou no tempo da guerra fria. O Estado brasileiro realmente atentou contra a democracia ideológica. Mas o fez há quarenta anos, durante o conflito leste-oeste, quando a História o autorizara. A repressão veio violenta para cima da esquerda simplesmente porque o seu mandante era de direita. Tivesse sido o contrário, estaria aquela atualmente vociferando contra a “invasão” de uma universidade pública pela forças armadas? É claro que a PM não é perfeita – assim como toda instituição administrada por homens. Mas ela não é a mesma de 1970. O seus quadros não podem responder pelos atos de seus precursores. E ao obedecer a Rodas, a polícia apenas cumpre o seu papel, de mantenedora da ordem – a mesma que o Foro de São Paulo quer quebrar para implantar a sua utopia. Até o vocabulário é ultrapassado. O discurso (a chamada “aula”) proclamado na Facvldade precisa ser corrigido: “reacionária” é uma esquerda que vive em função do que poderia ter sido, e “defensora de interesses de classe” é uma esquerda que demoniza a “burguesia” em favor de sindicatos, partidos, ONGs e movimentos ditos sociais, como o MST e a UNE. Conforme acerta o Stato Ferino, a História deixa as lições, mas não envia o professor. O verdadeiro professor.

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