CELAC: Fiel à Democracia na Saúde e na Doença? [Parte 1]

Na sexta-feira, 33 Países latino-americanos ratificaram a “Comunidade dos Estados Americanos e Caribenhos”. Criado à revelia da OEA e dos Estados da América Inglesa, o bloco, levados em conta os teores do texto que o deu à luz e o conteúdo de suas normas aditadas no último final de semana, em Caracas, explicita mais uma vez a incoerência e demagogia abissais do animus “bolivarianista”, partilhado com alegria e falsidade por todos os “companheiros”.

Aqui, notícia extraída de BBC sobre a convenção. Aqui, o inteiro teor do Ato Constitutivo do bloco – ainda sem as “cláusulas democráticas” adicionadas recentemente.

Muito bem. A mentalidade e as finalidades do Tratado, liderado por governos esquerdistas do Cone-Sul, são aquelas mesmas por todos conhecidas, e mesmo assim ignoradas propositalmente pela grande mídia chapa-branca durante a última década e meia. Trata-se de um pacto destinado à perpetuação da promiscuidade autoritária dos regimes participantes, calcada, como sempre, no enferrujado (embora ainda perigoso) ódio ao “imperialismo assassino” praticado pela Democracia Norte-Americana, envolta em seu famigerado “cheiro de enxofre”.

No mais, é evidente que o bloco é mais um instrumento de fachada para a consecução dos objetivos do Foro de São Paulo, organização criada nos Anos 90 por iniciativa do Partido dos Trabalhadores. O Foro de São Paulo, como se sabe, conta com centenas de partidos políticos comunistas do continente; além, é claro, de sua célebre e também camuflada cereja do bolo: as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, organização criminosa detentora do monopólio do narcotráfico colombiano e explicitamente apoiada por governos integrantes da CELAC.

(Obs.: as FARC foram excluídas do Foro de São Paulo assim que o PT assumiu o governo brasileiro, em 2003, depois de uma ou outra diluída veiculação da inclusão do bloco terrorista no grupo; recentemente, quatro de seus reféns foram executados, encorpando as mais de 100 milhões de vítimas de grupos esquerdistas ao longo dos últimos dois séculos, e acentuando a atualidade do massacre, de dimensão e eficiência verdadeiramente fordistas).

Fosse apenas desse (embora já enorme) tamanho a hipocrisia e a sem-vergonhice semântica de tais lideranças, estariam contentes e consternados estes que vos escrevem. Fato é que os absurdos, de novo, não foram assim tão “normais”.

Vejamos as razões disso.

Como consta da notícia supraposta, a CELAC aprovou certas “cláusulas democráticas”, absolutamente vagas, entre seus dispositivos. É de se notar que não há mais limite algum para a hipocrisia e para as mentiras oficiais propagadas pelas autoridades Ibero-Americanas.

É válida, por isso, transcrição de excerto da notícia do Portal da BBC: “Os 33 países do CELAC, reunidos em Caracas, na Venezuela, também se comprometem no documento a manter o respeito “irrestrito” ao Estado de Direito, à “soberania” e “integridade territorial”, à defesa da democracia e à ‘vontade soberana dos povos’ e das ‘liberdades fundamentais’”.

A desrespeitosa e incômoda piada não pára por aí. Nada obstante a flagrante leviandade do documento, as autoridades brasileiras, por suas vezes, sequer coraram ao corroborar firmemente a substancialidade das mentirosas intenções externalizadas pelos dispositivos.

 “A cláusula mostra o compromisso de todos com a democracia”, afirmou o subsecretário para a América Latina Antonio Simões, em entrevista a jornalistas brasileiros.

Vale, ainda, informar que o dito dispositivo de “tolerância zero contra o autoritarismo” tem por sanção a exclusão de qualquer dos Estados que violem suas normas.

Pois bem, venhamos agora a alguns fatos públicos e notórios, embora ainda muito esclarecedores: I) como se sabe, Cuba se encontra em pleno regime ditatorial socialista [permitam-nos a redundância] desde meados do Século passado;  II) estima-se em mais de 20.000 presos políticos os que já passaram pelos porões castristas, entre tantas outras execuções sumárias; III) Hugo Chávez, por sua vez, comprovadamente (aliás, documentadamente) utiliza o governo venezuelano para financiar as FARC, com todo seu amor pela democracia e pelo bem comum; IV) além disso, por meio de brechas institucionais e fraudes plebiscitárias, há mais de dez anos “Presidente-Comandante” polariza em si os poderes estatais em seu País, cada vez mais à mercê de sua notável e sangrenta sede “bolivarianista”; V) o governo equatoriano, por sua vez, há tempos apóia todos os tais crimes e estupros dos procedimentos democráticos praticados por seu mentor político, aliás implementados também em seu próprio solo; VI) Quanto ao governo lulista, de sua banda, sofreu acusações – rapidamente olvidadas pela grande mídia de Franklin Martins – que o imputavam o repasse de vultosos recursos às mesmas FARC, ao mesmo tempo em que, afogado em meio à própria e incrível corrupção, manifestava a simpatia absoluta de seu governo pelas institucionalizações ditatoriais latino-americanos; em meio a isso, não se furtava de também atentar contra a soberania nacional, lembrado seu patético “deixa pra lá” ante a estatização de refinarias da Petrobrás em solo boliviano; VII) solo boliviano, aliás, também dominado por regime autoritário de Morales, ora em cheque nas mãos do povo por sua própria e inacreditável incompetência.

Sim, caro leitor. Repassando: os membros principais da CELAC são também os membros do Foro de São Paulo, e todos os membros destes praticam e/ou apóiam, pública e comprovadamente, os fatos políticos arrolados logo acima; a única diferença é que aqui aparecem como “Partidos”; na CELAC, como “Estados”. Apenas corroborando a tese aqui defendida, pois, convidamo-os a um breve estudo das resoluções do último encontro da agremiação, disponíveis aqui . Entre elas, adiantamos algumas: o apoio ao ditador Gadaffi e a aclamação aos “heróis cubanos“, afirmando-se portanto apoio insofismável, por parte do digníssimo (e escondido) Foro, a dois dos mais sangrentos regimes dos Séculos XX e XXI.

[Na “Parte 2” deste artigo, prossegue nosso raciocínio]

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