A USP em Oração: Fé na Greve e na Onça Pintada

Entre um e outro “ato de protesto” e “manifesto de repúdio”, o cheguevarismo uspiano, embora pavoneie-se de seu ateísmo fundamentalista, mostra que ainda enclausura algum apreço pelo Reino dos Céus. Apreço aliás muito presente, como se verá, ainda que sufocado em meio à espessa névoa de violência idológica e maquiavelismo satânico que o envolve.

Tais traços sacros, contudo, ficaram evidentes somente agora, quando da publicação de uma cômica e lamentável “Carta” pelo “Comando de Greve da USP” – seja lá o que  for isso -, cujo teor disponibilizamos aqui. Ocorre que a tal prece, por sua eloquência e por sua paixão, faz morderem-se de inveja os mais altos mestres do atual (e pujante) mercado brasileiro da fé.

A coisa toda é até bonita de ser ver. Como nos programas televisivos de Valdemiro Santiago e de Edir Macedo (respectivamente as cabeças da Igreja Mundial do Poder de Deus e da Igreja Universal do Reino de Deus), a esquerda da USP, em sua “Carta”, leva aos ombros a Bíblia petista-gramsciana até o topo da colina sagrada, para então disponibilizar, no rodapé do vídeo (ou da página) três ou quatro contas bancárias diferentes, todas elas destinadas a uma segura engorda proporcionada pela ceva doce que sairá dos bolsos dos fiéis.

A iniciativa, como os caros leitores notaram, destina-se à promoção do que poderíamos chamar (não sem antes obtermos a bênção dos “grevistas profissionais”) de uma “Calourada Crítica”, destinada a anestesiar já na cria, “como era no Princípio agora e para sempre”, os cérebros dos uspianos ingressantes em 2012.

Há, contudo, um motivo mais concreto e imediato para a “Carta”.

Ocorre que o tal Comando de Greve da USP teme que, em vista os recentes atritos entre os esquerdóides da Universidade e o Reitor Grandino Rodas, este não mais disponibilize recursos públicos, como fez nos últimos anos, para a promoção da Calourada. A eventual pão-durice do Reitor, entretanto, é correta e justificada: a verba, afinal, dado o atual estado de idiotia letárgica de que padece o corpo discente (e docente) da USP, reverter-se-ia fatalmente em megafones, cartolinas, pincéis e combustível fisiológico – alimentos, bebidas e ervas – destinados unicamente à glorificação do atraso de vida, do amor pelo ócio e da revolta eterna contra o nada que corróem a Universidade de São Paulo há décadas.

Quanto às semelhanças estruturais entre as Igrejas do Sete-Vezes-Mais e o Comando de Greve, é certo que vão além da mera disponilização de contas bancárias milagrosas. De fato, caracteres fundamentais presentes em todas essas “entidades” permitem enquadrá-las no grupo de movimentos que se alimentam e que agem de acordo com as premissas estruturais da Mentalidade Revolucionária em sua forma mais pura. A inversão moral convicta e a crença cega num Fim da História paradisíaco – um futuro que por si só justifica as maiores vilezas, trambiques e desonestidades praticadas no presente – são manifestações que ocorrem em ambos os casos: tanto em meio à ganância pecuniária ilimitada das Igrejas mencionadas quanto em meio aos sanguinários (embora por vezes apenas matreiros, como no caso) métodos pelos quais a esquerda busca a Justiça, afinal só a ela revelada.

O Comando de Greve, todavia, infelizmente não tem lá o senso de empreendedorismo dos “apóstolos”. Sugestão? É com os melhores que se aprende.

A Igreja Universal, no ano passado, adquiriu 4.000 máquinas de cartão de crédito para facilitar o pagamento de ofertas e dízimos por parte de seus fiéis. Sugerimos, pois, ao movimento, a compra de maquininhas do mesmo tipo. Coisa simples: uma para cada unidade da USP deve bastar (e lembrem-se, amigos, de que não é gasto; é investimento). Querem outro exemplo valioso (e o melhor, de graça)? As Igrejas referidas também se profissionalizaram na venda de pseudorrelíquias como meias, crucifixos, bíblias e outros artigos benzidos por seus “apóstolos”. Ora, o mesmo tipo de apelo facilmente valeria para o sucesso da causa do Comando; afinal, imaginai vós o volume de arrecadações proporcionado com a venda de camisetas estampadas com imagens de seus ídolos e (eis o pulo do gato), ainda por cima, autografadas  por gente como José Dirceu ou (quem sabe?!) Lula?

E mais, meus caros. Vai aqui uma promessa: rasgamos nossas matrículas se esses investimentos não se mostrarem profícuos. Garantimos: é pra fazer cego enxergar São Jorge na Lua e aleijado carpir mandioca. No mais, só não recomendaremos o vitorioso exemplo petista de financiar organizacões terroristas narcotraficantes em prol da “Causa”, pois isso configuraria apologia ao crime.

Mas por hoje já chega, caros leitores. É que o banco já vai fechar, e jamais deixaríamos de contribuir com a Caixinha Marilena Chauí. Afinal de contas Universidade de São Paulo precisa de “calouros críticos” – como um dia certamente já foram a Gabi, a Mayra e a Karina. Não é mesmo?

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