A Questão da Cracolândia: o Povo contra o Partido

Se a porcentagem de esquerdistas (em puro estado, conscientes dos métodos, valores e consequências de seu agir) depenpendurada nas diversas esferas governamentais, universidades e sedes político-partidárias brasileiras fosse a mesma quando considerado o todo populacional da nação, seriam consequências fatais o fechamento de empresas como a Gillette do Brasil e a Satânica Hamburgueria (dispensa-se o nome) – daquela por falta de demanda, desta por motivos óbvios.

Inevitáveis efeitos, sim, mas não os únicos; de maneira idêntica, fosse aquela hegemonia fielmente refletida na estrutura social, os profissionais do instituto DataFolha seriam sumariamente demitidos, quer por má-fé direitista fraudulenta, quer por pura e simples incompetência no recolhimento e apuração de dados. Afinal, tratar-se-ia de absurdo de dimensões inapreensíveis pela razão humana se 82% dos membros do Foro de São Paulo, da Juventude Petista ou da Universidade de São Paulo fossem favoráveis à operação de legalização da Cracolândia, promovida pelo governo paulista nesse raiar de 2012. Curiosamente, tal é a fatia de cidadãos da capital paulista que apóia a medida (veja aqui).

Eis que, em que pese a infiltração obstinada e vitoriosa da esquerda no Estado e na sociedade civil “politicamente ativa”, tanto por meio de sua militância útil e pueril quanto por meio da inflação e do loteamento da Administração, a estrutura ética e cognitiva do povo em si ainda não se encontra (completamente) perdida no Brasil.

Analisando rapidamente a situação, é facilmente possível descrever as linhas do interessante paradoxo: de um lado, uma corrente ideológica que já se encontra praticamente idêntica ao próprio Estado (e que nutre a esperança sólida de brevemente se sobrepor a ele próprio) e, de outro, uma população trabalhadora e digna em sua maioria e que, apesar de estar-se deixando levar e sucumbir pela mordaça mascarada do Macro-Partidão Politicamente Correto, ainda cultiva com orgulho um corpo mínimo de valores – por sua vez absolutamente desprezado por aqueles outros, titulares do trono da Lei e portadores do cetro da Verdade.

Sim, pesquisas podem ser reveladoras. Da ponta meramente numérica de 82% do iceberg, deduz-se em linhas gerais a estrutura de sua base. Não se pode estar assim tão longe da verdade ao se afirmar que assim como 82% dos paulistanos são favoráveis à ação na Cracolândia, assim 82% deles nutrem apreço por princípios fundamentais do convívio humano; que 82% dos habitantes, por exemplo, valorizam a saúde pública, a ordem, a segurança, a dignidade e o respeito à lei (certamente valores que não estruturam a definição da Cracolâncida); que 82% deles condenam a ilógica e completa inércia do Poder Público frente a um mórbido Estado dentro do Estado, bem como a violência (dos próprios “donos” da Luz  para consigo mesmos, assim como para com os outros); que, enfim, 82% deles repudiam a letargia do homem para com o homem, incapaz de praticar a obrigação (e aqui esperamos que não nos apedrejem) cristã da não-abstenção cínica em face da decrepitude física e moral absoluta do próximo.

Em meio ao embate princípiológico (embate cuja mesma existência, comprovada pela estatística, é por si só um fato auspicioso), contudo, há um ponto mais concreto a ser iluminado, e que provavelmente a própria arraia miúda da esquerda não tenha considerado, via de regra ignorante que é dos reais motivos pelos guais grita inocentemente nas universidades e redes sociais. Formulemos tal razão de maneira indagatória: afinal de contas, que interesse a cúpula (que, esta sim, age consciente e premeditadamente) da esquerda brasileira,  encabeçada pelo ex-presidente Lula (ora laranjeado por Marco Aurélio Garcia no Foro de São Paulo), teria em subtrair tão vasto e manso mercado consumidor, ao fim e ao cabo dominado pelas FARC ? Qual o interesse em tal supressão por parte daqueles que subscrevem verdadeira beatificação e mesmo financiam os exploradores de tão profícuo nicho, assenhoreado pela maior e sacrossanta organização narcotraficante da história humana, já açougueira (contadas apenas as mortes diretas) de 20.000 cadáveres?

É apenas mais uma pergunta que fica.

Por fim, a respeito da debatida “truculência” e do “exagero” empregados pelo governo paulista e da adequação ou não da medida, temos, de um lado, que o povo representado já deu seu parecer – afinal, o que haveria de ser? deixaríamos, simplesmente, que apodrecessem para sempre a lei e os próprios pobres-diabos na mesma sarjeta? De outro lado, temos o óbvio: que tais críticas vêm exclusivamente da corrente descrita no começo de nosso texto, ela, parente próxima da sociopatia ora consciente ora inconsciente que já sangrou uma centena de milhões.

Por isso e por aquilo, ficamos com os 82%, não sem uma boa dose de convicção e uma centelha de esperança.

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