Calem-se os “Non Gratae”

Dois temas serão aqui tratados, especificamente pertinentes ao dia de hoje, mas simultaneamente sinais fiéis desses nossos já prolongados tempos: as eleições para o DCE da USP e a proposta de revogação (a ser votada hoje) do título de “persona non grata” conferido ao Professor da Faculdade de Direito e Reitor da Universidade, João Grandino Rodas, pela mui democrática e dialógica Congregação da Faculdade de Direito.

Sobre o primeiro deles, finalmente temos em seu âmbito algo que se aproxima de um embate real. A chapa “Reação”, oposta às outras três, “Não vou me adaptar”, “Quem vem com tudo não cansa” e “27 de Outubro”, desempenha, ao menos nas eleições que se desenrolam, um tardio contraponto à hegemonia esquerdista firmemente consolidada na USP.

Com efeito, num país em que Fernando Henrique Cardoso é chamado de direitista, é mais que certo que as chapas adversárias de “Reação”  trazem em seus mesmos nomes a evidência de sua bitola ideológica, de resto tão manjada que mesmo o mais frágil dos calouros da FFLCH sabe, como que de nascença, professar seus mantras tanto de cor como de trás para frente. A respeito do modus operandi de tais agremiações estudantis, não há também qualquer resquício de segredo. Afinal, a despeito do silêncio da acuada opinião, é público e notório que não passam, mutatis mutandis, de filiais juniores estabelecidas por partidos gramscianos da política nacional. Limitam-se, desse modo, mais ou menos à esquerda que estejam, a fazer reverberar no meio acadêmico a cartilha da nomenclatura, seja ela subscrita por PT, PSOL ou outro qualquer da “turma”, não sem uma gorda ajudinha à fiel militância, contraprestação esta que sai diretamente do nosso bolso para o Fundão Partidário e que, quem sabe, reverta-se num carguinho ministerial, já vislumbrando um próspero futuro.

Haja vista tal estado de coisas, só não notado pelo Sr. Magoo por conta da incredulidade de sua inocência diante de tanta cretinice, e não por sua deficiência visual, cumpre estabelecer três pontos básicos e evidentes a respeito da chapa “Reação”. Pelo tanto dito, percebe-se que:

1) que “Reação” funcionará, dada sua própria proveniência, como elemento de inclusão de setores da USP que geralmente guardam distância da política na Universidade. E isso, ressalte-se é apenas um dado fático; mera imposição lógica.

2) que a chapa procura soluções práticas (talvez não ideais) para a quebra da unilateralidade ideológica uspiana (o ponto 5. do programa é um exemplo de como o voto, ainda que plebiscitário, pode trazer à política da USP uma comprovada maioria, calada em face de uma minoria inacreditavelmente barulhenta: “A favor da realização de um plebiscito amplo sobre a presença da PM no campus, e a favor de que o convênio PM-USP seja cumprido em sua totalidade, havendo uma ouvidoria ligada à USP e a corregedoria capaz de garantir uma segurança responsável e prevenir abusos, e havendo treinamento específico para as unidades que realizam guarda nos campi, em moldes similares ao que ocorre com a ronda escolar. A posição decidida em plebiscito será a decisão adotada pela gestão, a despeito de qualquer posição dos seus integrantes.”

3) que, mais importante, pretende-se a chapa Reação indepentente da sujeira dos Partidos Políticos, que infiltra a USP de modo talvez já irrecuperável ( “Representatividade real dos estudantes e independência plena do DCE perante os interesses do Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP) e de PARTIDOS POLÍTICOS.“)

É como, afinal, explica-se a própria denominação escolhida pela agremiação: trata-se de uma proposta, mesmo que ainda embrionária e sujeita às peripécias da sorte e da sempre possível má-fé, de uma (muito tardia) “Reação”  a um stablishment que se dá a olhos vistos, amplamente protegido por Partidos Políticos que chegaram ao poder na política oficial para nunca mais saírem, e bem assim por militantes e docentes desleais que teimam em negar tal realidade, debitando ao sistema capitalista um estado de degradação evidentemente criado por suas próprias mentalidades desconstrucionistas, revolucionárias e obstinadamente amorais.

Enfim, se a chapa opositora é boa ou má, só saberemos caso tenham curso sua vitória e sua gestão. No entanto, a simples e frugal promessa de retirar o “tapa” (aquele que vai nos olhos de equinos para que só olhem para uma direção) do rosto de alguma parte dos estudantes que seja já é algo insofismavelmente válido. E isso não se discute. Afinal, não se pode prestar mais amor a nenhuma causa, a nenhuma cor e a nenhum homem que à própria realidade. E não se conhece a relidade, parece certo, ao se olhar para uma única bandeira.

Quanto ao Professor Rodas, resta dizer o óbvio ululante: a revogação do título trata-se de mera obrigação moral e democrática da Congregação. Afinal, quem arrota a defesa da liberdade de expressão e da dignidade não pode constranger o outro à não-voz e  imputá-lo o automático não-respeito por parte de seus iguais.

E, bem, cremos que aqui mais argumentos seriam ofensivos à própria lógica em si mesma.

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